Pois é... Este dia...
Este dia em que tanta gente demonstra tanto afecto pelo seu pai;
Este dia em que se vê pelas redes sociais ou na televisão, tantas provas de amor por parte dos filhos aos pais;
O dia em que, em pequena, eu fazia uma predinha ao meu pai na escola, e levava para casa toda feliz para lhe oferecer;
O dia em que me lembro que gostaria de ter um pai a quem pudesse abraçar e desejar um feliz dia;
Tenho um pai, sim. Um pai distante. Um pai que mesmo que estivesse aqui ao meu lado, continuava a ser distante. Mas no fundo até gosto dele... É o único pai que eu tenho, um pai que já soube ser mais pai. Um pai que me transmitiu muitas coisas boas e más, tanto por fora como por dentro, mas que será sempre um pai que apenas marcou a minha infância, que discutia comigo na adolescência, que me abandonou no inicio da minha fase adulta e que hoje só está comigo umas 2 ou 3 vezes ao ano, e que continua sem saber o que ando a estudar na Universidade.
Um pai que desiludiu a filha, um pai que me desiludiu enquanto marido, um pai que me desiludiu enquanto homem. Mas é o pai que eu tenho e espero ter por muitos anos. Um pai que, espero, um dia tenha orgulho da filha que tem, já que nunca o teve.
Gosto de ti papá.