quarta-feira, 6 de junho de 2012

Dores inúteis

Com um sorriso na cara, a mulher levanta-se de manhã cheia de vontade  de começar o dia. Activou o despertador meia hora mais cedo para poder ter tempo de fazer a depilação, colocar os seus cremes e ficar bonita para quem ama. Depois do banho, mais bem cheirosa que nunca, a mulher veste a roupa nova que comprou para aquele dia. Depois de olhar mais uma vez para a sua lista de coisas que precisa comprar nesse dia (velas, flores, comida...) e verificar os ingredientes para o menu que tinha planeado para o jantar desse dia, nomeadamente as entradas, prato principal e sobremesa, a mulher suspira imaginando que nada podia dar errado, excepto...

O telemóvel toca e a mulher abre a mensagem que indica que os planos para esse dia foram totalmente cortados. Não convencida, ela tenta descobrir mais pormenores ainda com a esperança de que aquilo é apenas uma partida. Mas após várias mensagens, as lágrimas caem...

Nem o outro lado, sabendo que nada podia fazer e estando também triste, entende a dor desta mulher. A dor de quem espera, a dor de quem aguenta mais um dia na expectativa, a dor de quem olha para trás e vê que a espera foi inútil... Que os planos foram inúteis... Que tudo foi inútil. Olha para a frente e vê que afinal vai ficar só e sem o que esperava ter, durante tempo indefinido. A dor de quem não pode fazer nada para mudar, nem mesmo culpar alguém.



A segunda vez em dois meses que levo uma tampa destas. Já devia estar mais que habituada. Sim, eu sei que desta vez não foi culpa tua... Só pedia que entendesses a razão de estar assim. Mas não entendes.

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